I just click
27 março, 2012
All I need to do is click on you
And we’ll be joined in the most soulless way
And we’ll never ever ruin each other’s day
‘Cuz when I’m through I just click
And you just go away
Bad Religion – I love my computer
Eu nunca fui uma daquelas pessoas que acreditou que o advento da tecnologia fosse afastar a todos nós. Eu lembro que, quando eu tinha lá meus 12 anos, e alguns dos meus coleguinhas começaram a ganhar o Pronto T – um celular pré-pago mais ou menos do tamanho de um iPhone, só que com o dobro do peso e um décimo da função, mui moderno – meus professores baniram completamente o aparelho das salas de aula. Havia discussões gigantescas de que as crianças iriam ficar cada vez mais isoladas pela tecnologia – mais ou menos nessa época a internet “banda larga” começou a entrar no mercado, e a moda era o ICQ.
Alguns anos depois, no ensino médio, um professor meu de redação argumentou que o fruto de tanta tecnologia na nossa geração não seria o abismo colossal entre as pessoas, porque afinal de contas, as aulas continuavam barulhentas, os corredores continuavam caóticos e os shoppings viviam cheios de adolescentes batendo papo. O futuro seria mais e mais pessoas ligadas, interessadas.
Eu tenho que discordar de ambos.
A tecnologia deu toda essa gama de informações a uma geração acostumada com a desinformação. É como entregar um livro com algumas ilustrações a quem nunca leu na vida: “aqui, toma esse monte de informação, mas trata de prestar atenção em todas essas letrinhas cujo significado você desconhece e ignora todas essas figurinhas aí”. O caminho simples que vem daí é cheio de instinto humano puro: “ah, eu vou falar que eu li isso daqui mesmo, todo aquele pessoal que também não sabe ler vai morrer de inveja”. Era assim na sexta série, quando meus amiguinhos tinham um celular que servia mais para jogar snake do que para conversar com alguém – convenhamos, aonde você vai tanto e qual assunto você tem que você não consegue conversar na escola quando tem 12 anos, se vê seus amigos todo dia?
Agora, na era do curtir e compartilhar, todo mundo tem algo a mostrar, seja a opinião que na realidade nem é minha, ou as fotos daquela festa que rolou esse final de semana onde eu nem larguei a camera.
Alguns dias atrás, encontramos aqui em casa o álbum de casamento dos meus pais. É incrível como de repente todas aquelas fotos se tornaram mágicas, mesmo estando grudadas num papel poeirento dentro de um álbum brega. Minha prima nos visitou alguns dias depois com os filhos dela, e todo mundo chorou de rir com os cortes de cabelo da época, e as pessoas que estavam mais entretidas no momento do que focadas na lente da camera. Ninguém falava “MANDA ESSAS FOTOS PRA MIM HOJE MESMO PRA EU COLOCAR NO FACE”, porque além de ter de esperar acabar o filme, tinha o tempo de revelar as fotos! E a maioria das vezes a camera passava desapercebida: as poucas fotos em que os personagens estavam olhando para ela era naquelas fotos em que todo mundo se junta, meio por obrigação, e o fotógrafo captura não só as caras desconfortadas, mas também aquele enfeite que tinha na casa da sua vó que você nem lembrava que existia.
Aqui está um exercício simples: pegue algumas fotos de uma viagem que você fez, e algumas fotos que seus pais, avós, tios, padrinhos fizeram anos antes ao mesmo lugar. Foram-se os tempos em que se dizia que quem não largava a camera e não conseguia aproveitar a viagem eram só os japoneses. Duvido que você consiga achar uma foto de três pessoas com uma delas segurando a camera e mirando no próprio rosto nas fotos mais antigas.
O mesmo vale para tudo o mais que nós compartilhamos aqui e ali. Me empurram que a Veja é revista de burguês, e subitamente quem lê essa revista só pode ser um mauricinho perverso, mas se a Globo passa um vídeo falando mal dos médicos que não atendem criancinhas com cancêr num hospital de caridade, eu vou compartilhar a minha opinião malformada com todo mundo. Como eles podem, elas tem cancêr! Vamos só ignorar o fato de que o mesmo hospital de “caridade” cobra R$5 mil por sessão de tratamento – aí tudo bem abusar dos cancerosos, é só ninguém ficar sabendo e a gente bota a culpa nos médicos. Eu posso apertar aquela mãozinha e dizer a todo mundo que eu vi aquele filme de 30 minutos e que eu sei tudo sobre as crianças soldado na África, mas… eu sei mesmo? Se alguém sentar-se à minha frente agora, terei argumentos para defender o porque do meu “compartilhar” sem usar os argumentos que me foram previamente alimentados? Eu vou poder ver os tons de cinza no meio de tanto preto e branco?
Tudo isso se acumula, pois se nenhuma opinião é minha, tudo que eu compartilho é o mesmo que todo mundo, onde vai parar a minha individualidade? Como eu vou conseguir me expressar? E, de repente, você se encontra na frente do computador, compartilhando, curtindo, se indignando mas nunca fazendo nada a respeito, porque você simplesmente quer ser ouvido. E, no alto da sua sabedoria dos seus 12 anos, 12 anos depois, talvez você se pegue pensando que a tecnologia afasta mesmo todo mundo, mas de uma maneira sorrateira. Me peguei pensando que o nosso vocabulário está cada vez mais limitado por nós mesmos, tal como no livro 1984 em que as palavras são vagarosamente apagadas da história. Estamos sendo limitados a nos expressar com alguns cliques, nunca realmente pensando sobre o que vemos, nunca expressando a nossa verdadeira opinião.
Então, vá em frente. Escreva! Grite! Dance! Beije! Proteste!
Mas por favor, vá fazer tudo isso à sua maneira, fora daqui.
Somos todos joaninhas
14 novembro, 2009
Joaninhas são insetinhos bonitinhos, certo? São um dos poucos insetos que as pessoas gostam de admirar – é raro alguém gritar quando uma joaninha pousa na mão, reação muito contrária àquela que acontece quando um bicho fede-fede passa perto de alguém.
É uma reação normal – joaninhas são redondinhas, bonitinhas, vermelhinhas e cheias de pintinhas, enquanto bichos fede-fede são verdes, cheios de patas e feios.
Acontece que, por baixo da casquinha vermelha, toda joaninha é igual a qualquer outro inseto, e este lado fica exposto assim que ela abre as asas e levanta voô.
E, no fundo, somos todos joaninhas. Queremos mostrar a todos o nosso lado brilhante, vermelho e cheio de bolinhas, mas quando nos libertamos e levantamos voô, o nosso lado real, a essência do que realmente nos faz sermos nós mesmos, aparece.
Há quem passe a maior parte da vida com as asas expostas. Há os que nunca voam por causa disso. E há ainda os que não tem medo de voar, e que conseguem fazer com que os outros vejam suas entranhas não como algo inteiramente feio. Cabe a cada um de nós decidir que tipo de joaninha queremos ver – e ser.
Considere.
20 setembro, 2009
Te fazem querer ser feliz através do trabalho, mas isso é mesmo o mais importante? Já me foi dito “feliz mesmo, você só é fora do trabalho”. Você nunca será feliz trabalhando, isso não existe. Os workaholics e as falsas promessas de felicidade (o tal do fullfilment do inglês) que se fodam.
Começou assim…
26 março, 2009
… com um comentário de fotolog. Melhor ainda, com um joguinho de computador. E hoje olha onde nós chegamos.
A vida tem dessas coisas estranhas. É tanta gente que por acaso entrou na minha vida; maneiras que não fazem nenhum sentido, que são complicadas demais pra explicar. Difícil responder pra outras pessoas novas aquela pergunta simples “E vocês se conhecem de onde?”
E essa pergunta realmente importa?
Aracnofobia
3 novembro, 2008
Hoje de manhã eu achei uma aranha escondida no meio de uns papéis que ficam do meu lado esquerdo, um pouco mais atrás de onde eu sento no computador. Eu levantei um envelope e ela se enfiou mais fundo nos papéis. Empunhando um chinelo e pouca coragem, eu revirei os papéis de um jeito bem meia-boca e cagão, e não achei a maldita.
Agora eu não consigo parar de olhar por cima do meu ombro.
Day 7560
15 setembro, 2008
Day 7560:
God keeps taking the piss out of me.
And I keep going on, pretending I don’t see it.
Tirando as palavras do meu pensamento
19 junho, 2008
“É muito melhor arriscar coisas grandiosas, alcançar triunfos e glórias, mesmo expondo-se a derrota, do que formar fila com os pobres de espírito que nem gozam muito nem sofrem muito, porque vivem nessa penumbra cinzenta que não conhece vitória nem derrota.”
Theodore Roosevelt
Obsessão é…
14 junho, 2008
… pensar em escrever “third”, mas acabar escrevendo “thrice”.
Sem título.
1 maio, 2008
Diálogos interessantes…
20 abril, 2008
… em filmes não tão interessantes.
Hell, I’ve always been old Ben. Ya’ know what though, I don’t mind. I mean if my muscles ache, it’s because I’ve used ‘em. It’s hard for me to walk up them steps now, its ‘cuz I walked up ‘em every night to lay next to a man who loved me. I got a few wrinkles here and there, but I’ve layed under thousands of skies with sunny days. I look and feel this way, well cuz I drank and I smoked. I lived and I loved, danced, sang, sweat and screwed my way thorough a pretty damn good life if you ask me. Getting old ain’t bad Ben. Getting old, that’s earned.
Maggie McGlone, personagem do filme Mais bravos que o mar.
