Do “desapego”

21 novembro, 2010

Hoje, vou ser sincera. Vou por todos (ou quase todos) os pingos nos “is” e cruzar todos os “tês”. Não tenho mais costume de comentar abertamente minha vida num blog, mas hoje, hei de fazê-lo.

Vamos ao por que.

Há mais ou menos um ano e nove meses atrás conheci meu namorado. E, desde o início, botei na minha cabeça a filosofia do “desapego”. Não é não gostar, por favor, não confunda. É simplesmente ter a assustadora crença, contrária a quase todos ao meu redor, de que, PASMEM!: eu sou capaz de respirar sem meu namorado do meu lado.

Acontece que eu já havia estado em relações, pseudo-relações, ficadas, paixões platônicas, etc. E em todas elas, eu me joguei de cabeça quando a outra pessoa nem sequer olhou pra baixo do penhasco, ou vice-versa. Fiquei muito tempo sozinha* e aprendi que sou feliz em mim mesma. Sou completa em mim mesma: não sou metade de ninguém e não acredito que eu possa ser um só com alguém. Se tenho um grande amor hoje, é porque acredito (e penso que ele também) eu sou capaz de ser feliz sozinha.

Sim. Nós somos um casal incomum. Não, nós não nos falamos nem nos vemos todos os dias, porque ele tem uma vida ocupada e eu também. Sim, nós saímos desacompanhados. Não me entenda mal, eu adoro ficar grudada no meu namorado, mas acho que faz parte do amor respeitar o espaço, opinião e gosto do outro, assim como ter tempo de dar saudade e de pensar, tanto nas besteiras que você gostaria de não ter dito, e nas coisas que você queria ouvir de novo. Faz parte sair com os amigos, fazer aquela viagem que você tanto queria e ir naquele barzinho com a música alta que o outro não gosta; é isso que te faz tão interessante, afinal de contas.

Dessa filosofia, resulta apenas uma briga (na qual eu fiquei “de mal” por cerca de 15 minutos), nesse tempo todo de namoro. E até hoje eu sorrio feito boba.

Não foram poucas as vezes que escutei comentários do “tipo tô-brincando-mas-to-falando-sério” sobre como nós somos “modernos”, sobre eu estar sozinha, ou ele estar em um lugar e eu em outro. Todo mundo reclama que os amigos somem depois de começar a namorar, mas se eu continuo indo aos lugares sem meu namorado, eu sou um monstro.

O fato de eu ter um namoro tão tranquilo, tão leve e tão certo parece incomodar muita gente.

Pronto, falei mesmo.

*Sozinha aqui é usada no sentido de solteira: eu já me senti sozinha, mas nunca me ocorreu que a única maneira de afogar tal solidão seria numa relação, seja ela semi-simbiótica ou não.

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