Não entendi.

15 maio, 2010

Não entendi como aquela menina, da minha idade, que passou tantas tardes comigo, jogando pipoca na frente do projetor do cinema e dando risada, teve um filho. Ou, sei lá, não entendi como ela teve um filho tão cedo. É uma daquelas coisas que você vê na TV, acontecendo na novela idiota das oito, ou no jornal com as meninas adolescentes da classe baixa. Não acontece com as que cresceram com você. Talvez seja porque eu não a via fazia anos, e talvez o contraste da memória da menina de 9 anos com a realidade da menina de 20 com um bebê foi grande demais pro meu cérebro processar.
Não entendi por que a amiga do meu namorado casou com 22 anos, sem ter nunca beijado o noivo na boca. Não consigo entender, nunca. Perdoe-me a falta de cafonice, mas amar não é instinto (vide mães que odeiam filhos e vice-versa), e não se aprende da noite pro dia. Até andar se aprende em etapas. Acho que casar, sem beijar, sem transar e sem testar a química não existe. Casar, beijar e transar, tudo no mesmo dia, é pular etapas, como aprender o alfabeto, a ler e escrever no mesmo dia.
Não entendi como que, uma das pessoas que mais devia me amar neste mundo, é capaz de mentir por 15 anos. Acho que ensinar às crianças que pais são super heróis é correto, mas talvez fosse mais sincero ir degradando a imagem aos poucos. Porque, no fim das contas, eles são humanos. Não que eu ainda acreditasse nessa besteira de super herói, mas não deixo de ficar triste pelo meu eu de 5 anos, que se tornou o meu eu de 21…

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